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Projecto de difusão de autores que pensam a imagem em termos inovadores, explorando com grande liberdade e pertinência o seu enraizamento e as suas relações com as mais diversas problemáticas, saberes, crenças e práticas.

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EBAY
Em Abril-Maio de 2013.

Georges DIDI-HUBERMAN, Imagens apesar de tudo + Cascas O pensamento, a escrita e a arte devem resistir ao sentimento de impossibilidade. Quando algo se apresenta como impensável, é aí que deve trabalhar o pensamento. Podemos até partir do princípio de que não há representação perfeita de um evento extremo como a Shoah. Mas se ficamos nessa posição tudo está perdido, porque nos submetemos ao inimaginável e fazemos dele algo sagrado. Prefiro dizer que podemos tentar imaginar, apesar de tudo (GDH, in entrevista-recensão por Guilherme Freitas, O Globo / Prosa, 16.3.2013).

Aby WARBURG, "O Nascimento de Vénus" e "A Primavera" de Sandro Botticelli
A recente publicação de "'O Nascimento de Vénus' e 'A Primavera' de Sandro Botticelli" introduz finalmente em Portugal o revolucionário pensamento de uma figura maior da história da arte e da cultura. Anatomia de uma mudança de paradigma (artigo por Nuno Crespo, Público / Ípsilon, 11.1.2013).


Aby WARBURG, «Ninfa Fiorentina. Fragmentos de um projecto sobre Ninfas» Ghirlandaio não é precisamente uma fonte repousante, de rústico murmúrio, para pré-rafaelitas, mas também não é nenhuma catarata romântica, cujas cascatas frenéticas sussurram uma nova coragem vital ao outro tipo de viajante, ao super-homem nas férias da Páscoa, com o Zaratustra no bolso do seu sobretudo de pano grosso, em vista da luta pela existência, mesmo contra a autoridade.

Aby WARBURG, "O Nascimento de Vénus" e "A Primavera" de Sandro Botticelli
É exatamente a questão de outra visão de temporalidade histórica, de um conceito não banal de "atualidade", presente na empreitada de Warburg, que chamou a atenção de pensadores diversos como Carlo Ginzburg [...], o filósofo italiano Giorgio Agamben e o historiador da arte francês Georges Didi-Huberman. Nessa discussão, é fundamental a ideia de sobrevivência (Nachleben) de tópicos e imagens do passado por uma relação sensível, empática ou patética (Pathosformel) (recensão por Karl Erik Schøllhammer, O Globo / Prosa, 8.9.2012).





Victor I. STOICHITA (n. 1949)

Historiador de arte, lecciona "história da arte moderna e contemporânea" na Universidade de Friburgo, Suíça. Natural da Roménia, cidadão espanhol, obteve a licenciatura por La Sapienza, Roma, e o doutoramento pela Sorbonne, Paris. Porventura esta condição multi-cultural e multi-linguística tem desempenhado um papel na consideração de instrumentos teóricos, críticos e linguísticos muito diversificados. Victor Stoichita tem contribuído para ampliar os problemas e os objectos de estudo, demonstrando todo o interesse de um método plural de análise da experiência artística e visual. A história da arte, a estética, a antropologia concorrem assim para relevar dinâmicas de permanência e de transformação que definem o mundo "contraditório" das imagens. O modo de funcionamento da imagem e da imaginação, bem como a questão da memória, constituem, deste modo, os problemas fundamentais do historiador.
Em L’Instauration du tableau (2ª ed., 1999) e Bréve histoire de l'ombre (2000), debruça-se sobre temas em que está em causa a própria natureza do fenómeno artístico e temas objecto de continuada elaboração teórica, com extensas ramificações filosóficas e culturais, que o autor percorre com notável desenvoltura.
Em O Efeito Pigmalião (2008; trad. pt. 2011), indaga-se a estória de um escultor cipriota e da estatueta que ele mesmo fabricou, começando em Ovídio, com incursões pelo Romance da Rosa, Shakespeare, Deleuze, a Barbie, para findar em Hitchcock. Mas se nesta história de simulacros, por um lado, se põe em evidência uma dimensão central da prática artística Ocidental, onde vemos o artista apaixonar-se, iludido, pela imagem criada, por outro lado, podemos compreender como esta paixão arruína a lógica da mimesis e destitui qualquer princípio ou conformidade entre modelo e cópia. Com efeito, a estatueta de Pigmalião existe noutro plano, ela é um objecto técnico-mágico-artistíco que capta eficazmente o desejo. E, deste modo, é emblemática da parte de imagem que há na arte.
(JFF, VS, rIHA)

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Aby WARBURG (1866-1929)

Historiador da cultura, foi fundador da Kulturwissenschaftlichen Bibliothek Warburg em Hamburgo, instituição que acolheu Bing, Saxl, Cassirer e Panofsky. Após a sua morte e com o advento do nazismo, a mesma foi transferida para Londres dando lugar ao Warburg Institute, de que, durante décadas, Gombrich foi o director.
Warburg inventou no seu tempo e para o nosso tempo, uma singular "história das imagens" nutrida pelos conceitos de Nachleben (sobrevivência) e Pathosformel (fórmula-de-pathos). Se é certo que o conceito de sobrevivência aponta para a "continuidade" das formas da cultura Antiga, a verdade é que, para Warburg, tal movimento decorre de exigências psicológicas, expressivas, e de processos de elaboração e "transformação" congénitos às obras de arte e imagens, o que o conceito de fórmula-de-pathos vem sublinhar. Com efeito, as formas que interessam Warburg são fruto de longos processos de sedimentação que constituem condensados de energia capazes de irromperem intempestivamente na arte e cultura de épocas posteriores, tal como a Ninfa de Ghirlandaio irrompe em O Nascimento de João Baptista (Florença, Santa Maria Novella, 1486-90). É assim que Warburg pôde observar linhas de continuidade/transformação entre o Laocoonte, o "ritual da serpente" dos índios Hopi e a figura do trovão no desenho de uma criança índia ocidentalizada; ou ainda, observar a relação entre a gestualidade do homicídio de Orfeu e a postura de uma jogadora de golf sua contemporânea.
Com o seu primeiro estudo sobre O Nascimento de Vénus e A Primavera de Sandro Botticelli (1893; trad. pt. 2012) Warburg propõe novas questões metodológicas, explorando a fundo as relações entre arquivo documental e animação das imagens, entre interpretação histórica e experiência visual.
A sua biblioteca e a concepção final do atlas de imagens Mnemósine constituem as derradeiras etapas do seu projecto, no qual se assume o risco de pensar articuladamente o anacronismo do tempo histórico e a eficácia das imagens, bem como os sentidos das suas mútuas e intensas transformações.
(JFF, MPS, VS, rIHA)

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Georges DIDI-HUBERMAN (n. 1953)

Filósofo e historiador de arte, lecciona "antropologia do visual" na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris.
Nas duas últimas décadas, tem procedido a uma aprofundada crítica dos fundamentos vasarianos, panofskianos e neo-kantianos com que a história de arte se habituara a operar. Em obras como Devant l'image (1990), L'Image survivante (2002) ou Imagens apesar de tudo (trad. pt. 2012), e apoiado em referências teóricas como Warburg, Benjamin, Freud e Deleuze, tem assumido o parti pris por uma atitude interpretativa que considere a complexidade problemática e contraditória da imagem, bem como as dimensões empáticas, éticas e políticas da mesma.
A vasta constelação de referências teóricas, artísticas e literárias (incluindo Baudelaire, Proust, Joyce, Bataille, Beckett), e a montagem de saberes que Didi-Huberman opera (história, psicanálise, filosofia, fenomenologia, entre outros), concorrem para a concepção de um tempo histórico caracterizado por anacronismos, por temporalidades impuras, dialécticas, prenhes de sobrevivências e de fantasmas. Este tempo constitui o correlativo do "sintoma", ou seja do símbolo aberto e "sobre-determinado" que Freud teorizou e que Didi-Huberman propõe como paradigma para a investigação nas artes.
Autor prolífico, tem mais de 30 livros publicados sobre diferentes artistas e autores, como Fra Angelico, Botticelli, Marey, Brecht, Giacometti, Pasolini, Turrell, Harun Farocki, os minimalistas americanos (Judd, Morris, etc), mas também sobre objectos e temas antropológicos, a fotografia e o cinema, a teoria e as questões de método.
Em Imagens apesar de tudo debruça-se sobre o "inimaginável" da Shoah, que tende a obliterar tanto as quatro imagens fotográficas que sobreviveram à "Solução final" como a imaginação daqueles que passaram pelos campos, ou mesmo as montagens cinematográficas de Renoir, Lanzmann e Godard, entre outros. Didi-Huberman contrapõe com veemência o valor das imagens - tão lacunares quanto necessárias - na história e para a constituição do conhecimento histórico, distinguindo a semelhança da falsa aparência e da assimilação identitária, visando romper a barreira fetichista e afirmar como a imagem pode, apesar de tudo, tocar o real.
(JFF, MPS, VS, rIHA)

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Hans BELTING (n. 1935)

É historiador de arte e Professor Jubilado pela Hochschule für Gestaltung de Karlsruhe. Iniciou o seu percurso como investigador no âmbito da arte bizantina e medieval, âmbito que alargará à Reforma, artes modernas, contemporânea e não-Ocidentais.
Em Das Ende der Kunstgeschichte? (O Fim da História da Arte?, 1983), dá conta de um pensamento centrado no destino de uma história que a arte contemporânea persiste em desviar. Em Bild und Kult. Eine Geschichte des Bildes vor dem Zeitalter der Kunst (Imagem e Culto. História das Imagens antes da Época da Arte, 1990), Belting perscrutou atentamente o período em que a arte ainda não era "arte", confrontando as "imagens" com seus contextos, as funções de que foram investidas e as práticas de que foram rodeadas.
A história, mas cada vez mais a antropologia social, e ainda a crítica literária, a psicologia e as neurociências, convergem no trabalho de Belting para a compreensão das imagens e seu sentido. Em Karlsruhe criou o projecto interdisciplinar de investigação "Antropologia da Imagem: imagem-média-corpo" e em 2001 publica Bild-Anthropologie (Antropologia da Imagem). Nesta obra procede ao escrutínio de uma vasta amostra de imagens abarcando um arco temporal e cultural igualmente vasto, orientado pelas três parâmetros fundamentais de análise "imagem", "média" (os meios ou os suportes materiais das imagens) e "corpo", que assim constituem os eixos fundamentais da sua antropologia.
Em A Verdadeira Imagem (trad. pt. 2010) é com renovado fôlego que, por um lado, regressa à condição da imagem no mundo contemporâneo e, por outro lado, regressa aos âmbitos da Idade Média e da Reforma. Neste duplo lance, as imagens históricas emergem como duplos críticos do imaginário contemporâneo e a condição contemporânea da imagem revela insuspeitas, se bem que alteradas, raízes históricas.
No mais recente Florenz und Bagdag (2010), Belting debruça-se sobre a invenção desse paradigma fundador da representação Ocidental que é constituído pela perspectiva, revelando o curto-circuito teórico, artístico e ideológico que, simultaneamente, une e separa o mundo da imagem judaico-cristã e da arte e ciência islâmica.
(JFF, MC, VS, rIHA)

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Jacques RANCIÈRE (n. 1940)

Filósofo, Professor Emérito de "estética e política" na Universidade de Paris VIII, publicou inúmeras obras nestes domínios, de que se destacam O Mestre Ignorante, Cinco lições sobre a emancipação intelectual (trad. pt. 2010), La Mésentente. Politique et philosophie (1995), Estética e Política, A Partilha do Sensível (trad. pt. 2010), L’Inconscient esthétique (2001) e O Espectador Emancipado (trad. pt. 2010).
O encontro e divergência de Althusser constitui uma etapa fundamental na formação desta figura cimeira da filosofia política. Em La Mésentente repercorre textos e temas canónicos do pensamento político, argumentando que o aspecto fundador da democracia é o desentendimento, quanto aos protagonistas, temas e termos do jogo político. A política democrática é, pois, encarada como a incessante disputa quanto ao recorte ou "partilha do sensível". Não obstante, na presente época do consenso - e alheamento - político, é no campo da arte e cultura contemporânea, em domínios tais como a literatura, teatro, artes visuais e cinema, que Rancière reconhece o terreno em que o recorte do sensível é objecto da mais intensa disputa e profunda reelaboração. É em Estética e Política que o autor articula política e estética, assinando um título maior da reflexão estética contemporânea. Com efeito, é aqui que Rancière caracteriza os três regimes estéticos ("ético", "representativo" e "estético"), procedendo ao levantamento sistemático das operações imanentes aos mesmos, démarche que o leva, muito para além de noções como a de "modernidade", a repensar a habitual distinção linguagem / imagem e a tendência para identificar a imagem com o visível, recenseando efeitos de imagem no interior do texto literário (p.ex. a descrição, que interrompe a narração), bem como as mais diversas formas de entrelaçamento do dizível com o visível.
(JFF, VS, rIHA)

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José Luís NETO (n. 1966)

Fotógrafo, expõe com regularidade e está presente em importantes colecções nacionais e estrangeiras. Em 2005 venceu o Prémio BES-Photo.
Se para Barthes a essência da fotografia residia no "ça a été", numa emanação luminosa e geométrica a partir de um "referente" de que a fotografia constituiria o certificado de presença, então o trabalho de José Luís Neto situar-se-ia para além deste âmbito artístico. No entanto Neto domina o processo fotográfico, tendo realizado numerosos trabalhos com químiogramas, trabalhos incidindo exclusivamente sobre os dispositivos técnicos próprios da fotografia e fotografia de apropriação, em alguns casos sobre suportes ou imagens objecto das mais diversas transformações e/ou sujeitando-as a transformações ulteriores tais que a imagem acaba por não validar quaisquer "referentes", antes destabilizando-a e abrindo-a a redes tão densas como abrangentes de relações com outras imagens e referentes culturais. Em 2006 expôs a série "High Speed Press Plate", constituída por imagens obtidas a partir de chapas de vidro esquecidas e degradadas, e sobre as quais o público viu (projectou) os mais surpreendentes mundos. Desde há três anos a esta parte que trabalha na série "July 1984", a partir de fotos amadoras abandonadas e sujeitas aos mais diversos processos de degradação / transformação (calor, humidade, etc). A série "July 1984" é "assombrada" por parte significativa da cultura visual do século XX, de Richter e Twombly à cultura pop e psicadélica, entre outros, além de aspectos da cultura arquitectónica, cinematográfica e o mundo da fotografia amadora.
(JFF, VS, rIHA)

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