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"Diga que você está de acordo!" parte dos fragmentos do Fatzer de Brecht, escritos entre 1926 e 1931. A fábula brechtiana se passa na I Guerra Mundial: quatro soldados alemães desertores se vêem confinados na casa de um deles. Os quatro tentam chegar a um consenso para cada decisão, em paródia à formação dos sovietes. Entre as figuras, Fatzer é o egoísta. Na montagem do Teatro Máquina, o grupo se desafia a enfrentar o material textual inacabado e desenvolver uma dramaturgia da cena, explorando a guerra como situação motriz para improvisar e descobrir como a linguagem e o tempo do teatro podem expressar os extremos da espera, da violência e da comunicação. Na encenação de sua MÁQUINAFATZER, o grupo dá forma ao fragmento em tensão, repetição, engajamento físico e na construção/destituição de uma língua inventada. O espetáculo explora a potência do tempo presente em criação de ação contínua, transfigurando os fantasmas do passado e do futuro no agora da representação.

Sobre o que não é o Fatzer?
Sobre o que não é o Fatzer do Teatro Máquina?
Se não tratamos explicitamente da Primeira Guerra, se não tratamos da deserção, se não tratamos da espera pela revolução, se não tratamos da convivência clandestina de quatro homens em uma casa, do que tratamos?

Sobre o que é o Fatzer do Teatro Máquina?
O que se tornou?
Importa perguntar ou não devemos nos importar com isso?
Com o que devemos nos importar?

O Fatzer é também sobre a guerra, sobre o acordo, sobre o que nos resta. Fatzer é material para descobrirmos o que podemos fazer a partir dele e não mais com ele. É sobre esse lugar sombrio que revela a natureza, revela o que pensamos termos construído como humanidade, revela o que não podemos entender como homens, o que não queremos saber. Entre quatro paredes e com as gargantas abertas e dirigidas para o público. Entre o que pretendemos mostrar e o que mostramos. Entre o que sabemos e o que ainda não conhecemos.

A língua inventada inventa o nosso Fatzer.

Fatzer é também sobre a língua. É sobre a máquina-língua que inventa a palavra guerra. É sobre a guerra tornada língua. É sobre a fala tornada impedimento. Sobre a fala expressão de desacordo, de desencontro, de tentativa, de confronto. Sobre a fala cortada, sobre o blá blá blá, sobre o vazio do discurso, sobre o discurso vazio, sobre aquilo que só se representa quando se expressa, sobre a linguagem-trauma, sobre o que não pode ser dito. É também sobre o que perdemos, sobre o que continuamos perdendo. Sobre o que acumulamos, o que empilhamos, o que derrubamos, sobre o que pisamos.

Diga que você está de acordo!
Diga: - Estou de acordo! Diga!
Diga que vo.. ! Tenta dizer! Vai!
Assim: - De - a - cor -do!
Você não consegue dizer o que não consegue fazer.
É?
É assim?
Diga!
O que você consegue dizer?
O que você consegue fazer?
Como pronunciar o que não quer ser pronunciado?
Dizer é fazer.
Antes não dizer, melhor.
Melhor!
Não dizer também é fazer.


Fatzer é pré-texto. Suas figuras pré-figuram o homem. O homem e seu animal.



Ficha técnica
Direção: Fran Teixeira
Com:
Fabiano Veríssimo
Felipe de Paula
Márcio Medeiros
Levy Mota
Loreta Dialla
Tutoria: Guillermo Cacace
Colaboração: Júlia Sarmento, Michael Wehren (Friendly Fire) e Stephane Brodt (Amok Teatro)
Registro dos encontros: Guilherme Bruno
Produção: Fran Teixeira, Levy Mota e Ana Luiza Rios
Criação de Sonoplastia: Ayrton Pessoa Bob (Orientador), Marcos Paulo Leão (Assistente), Israel Silveira (Assistente), Glauber Bass, Laylton Maia, Marcelo Freitas, Marcos Au Coelho, Matheus Ramilen , Rami Freitas, Saulo de Castro e Tuilla Cláudia
Cenografia: Frederico Teixeira
Cenotecnia: Fernando Casari (Orientador), Diego Brito, Gabura Mn, Israel Silveira, Jacqueline Brito e Pedro Moreira
Objetos cenográficos: Alex Ferreira
Iluminação: Walter Façanha
Figurino: Diogo Costa
Costureiras: Francisca Maria, Odaíde Baía e Tetê Ferreira
Adereços de couro: Muñoz Aguirre
Arte gráfica: Fernanda Porto
Fotos: Deivyson Teixeira
Operação de luz e som: Ana Luiza Rios e Fran Teixeira

Áudio-intervenção Voz de gente para ouvir:
Co-produção Friendly Fire e Teatro Máquina
Vozes: Ana Luíza Rios, Fabiano Veríssimo, Felipe de Paula, Fran Teixeira, Helena Wölfl, Levy Mota, Loreta Dialla, Márcio Medeiros, Melanie Albrecht, Michael Wehren.

* Clique aqui para baixar fotos do espetáculo em alta resolução.