manual de uso

-/ PROJETO DE GRADUAÇÃO EM DESIGN | EXPERIMENTAL

os objetos aqui postados são para o objetivo acadêmico e experimental.

o material abaixo representa o conteúdo de minha tese e tem como tema principal a tangibilidade e intangibilidade do design contemporâneo sobretudo nas mídias atuais musicais e audiovisuais.

cada postagem representa um avanço na minha pesquisa, tanto no âmbito experimental como no de racionalidade acadêmica.

os textos descrevendo as experimentações constam no PGD impresso.

atenção-

FINADO TIO WALTER é o blog.

GRAFIKOFONIA é o projeto.

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Na semana passada tive o prazer de visitar a exposição no Hospital Matarazzo, intitulada "Feito por Brasileiros" as instalações me trouxeram um sentimento de patriotismo diferente, um resgate ao orgulho de ser brasileiro depois de tanto stress em volta das eleições deste ano (ou mesmo de 2014 em si, ô aninho agitado).

O Hospital foi aberto em 1904 e desativado em 1993, e a partir daí fora abandonado totalmente, suas estruturas decadentes abrigavam uma certa nostalgia doente, como se as doenças de seus vários pacientes através dos anos agora habitavam suas paredes. E com este pretexto vários artistas, brasileiros e estrangeiros, trouxeram para os setores do hospital suas obras muito diversificadas, viajando de artes plásticas até audio-visual e nu artístico.

Esta exposição me serviu de inspiração, e me deu mais força para realizar este projeto, penso até em fazer uma lata sonora mergulhando neste universo bizarro do abandonado Matarazzo.




Imagens do interior da ocupação Matarazzo.

Uma das instalações que me chamaram atenção e que têm a ver com o projeto, seriam os chuveiros sonoros.



Estes chuveiros possuem sons estranhos que só são ouvidos claramente quando o ouvinte se posiciona diretamente em baixo do objeto, assim tomando um banho de som. Me lembra o meu projeto pois o som só é revelado para aqueles que se sentem confortáveis e intrigados o bastante para se deslocar e experimentar o som de uma maneira diferente.



Artista - pendente


autorretrato
Após um tempo, senti necessidade de criar um símbolo realmente forte para este projeto, e para também complementar a identidade das latas sonoras.

Os estudos começaram primeiramente com uma ideia de transformar a palavra "Grafikofonia" em uma faixa de audio, depois criar um vetor dessa faixa, criando um ícone que transmitia tanto o nome quanto conversasse com o projeto, indagando assim a utilização de um sinal gráfico que descreve o som, porém é impossível de descobrir qual audio está por trás da tal faixa.


Grafikofonia como faixa de audio

Após este logo, fiz algumas criações e aplicações em rótulos, pensando primeiramente em que som estas latinhas iriam ter, para assim refletir no modo gráfico em que seriam representadas.



Pesquisando sobre este símbolo e perguntando para as pessoas, ficava claro que o símbolo é interessante, porém não ilustrava de uma maneira tão fácil o nome do projeto em si, impossibilitando sua verbalização.

Após estudos, encontrei uma forma de representar o símbolo de outra maneira, desenhando os principais sinais gráficos do projeto, o olho e o ouvido, sinais da sinestesia e da grafiko (olho) e da fonia (ouvido).


Estudo para símbolo principal.

Formando também um G, este símbolo te observa e te ouve, buscando uma interação com o usuário. Me ouça e será ouvido. Depois disto, projetei algumas embalagens que refletissem os sons já coletados.



Estes rótulos representam sonoridades, cada uma com um nome singular, respectivamente, ambiguidade, nostalgia e caos.




Detalhe das intruções de uso, construídas de acordo com os sinais do símbolo.


Os estudos ainda estão sendo feitos, as decisões sobre as faixas e os textos ainda vão ser melhoradas e estudadas, assim como testadas pelo público.

Um guia de similaridades entre palavras e conceitos sobre som/música e design.(alimentado regularmente)

DESIGN ••• SOM

ritmo
composição
grid
suporte
transmissão
harmonia
batida
acordes
ilusão
sinestesia
sentido
emoção
memória
lembranças
Após um período de estudo e planejamento, comecei a trabalhar na parte elétrica da lata. Minha ideia era usar os componentes de um MP3 player e alterar algumas de suas funções para que o mesmo fosse reduzido para entrar na latinha e ocupar pouco espaço.



Troquei os auto-falantes do MP3 (já que eram grandes e potentes demais) por um de carrinho de brinquedo, muito menor e menos potente. O suposto reprodutor de MP3 foi uma boa escolha, já que me permitia adicionar músicas e sons através de uma entrada por microSD, pequena e prática, quando se inseria o card ele logo começava a tocar a música salva na memória.



A partir de um componente chamado Reed Switch, foi possível fazer com que o MP3 ligasse somente com a interação de um ímã, pois assim, somente ao retirar a tampa da lata (com o ímã preso a ela) o aparelho começaria a tocar.



O sistema simples e pequeno vai me dar espaço para trabalhar com a lata, mas ainda preciso resolver como esconder tudo isso dentro dela, já que a ideia principal era de reproduzir algum som sem que a pessoa visse de onde ele estaria saindo, como se a lata estivesse vazia, somente cheia com som.

Trabalhei também com outros tamanhos e estilos de lata, porém achei mais confortável para o usuário uma lata que tivesse uma boa portabilidade e que coubesse em uma mão facilmente, por isso escolhi a latinha de tamanho médio, marrom.




Agora com a elétrica e a lata definidos, vou começar a aprimorar seu interior e também exterior, procurando uma solução gráfica que represente a mensagem que o "container" irá transmitir.


O FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica) é um festival que acontece em SP e pelo mundo onde vários projetos de arte/design/música/eletrônica/ são apresentados para o público em uma exposição singular e muito bem organizada. Contando com o fator lúdico e com o interesse de envolver o usuário, o FILE promete e consegue entregar experiências novas e únicas para aqueles que visitam a exposição contando com primeiramente a interatividade.

Eu visitei hoje esta exposição e ela tinha tudo a ver com o meu projeto, já que estou me envolvendo cada vez mais com a eletrônica para conseguir meus objetivos.

O FILE está localizado no SESI-SP na estação Trianon-Masp, na entrada já é possível visualizar a maioria das obras, fiquei impressionado com a qualidade e também com a interatividade que eles ofereciam.

A seguir os projetos que achei mais interessantes:

MATIÉRES SENSIBLES
Scenocosme: Grégory Lassarre & Anais Met Den Ancxt | França

Feita por meio de um processo de biohacking que os artistas chamam de marcação interativa, "Matiéres Sensibles" é uma série de esculturas feita com folhas de compensado de freixo muito finas e delicadas, as quais produzem sons ao serem tocadas pelos espectadores.



Achei demais esta experiência, além de nos conectar com a natureza, criamos o som e refletimos se ela realmente é causada pelos sulcos naturais da madeira. Produzindo música com o toque.



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THE HARMONIC SERIES
Luisa Pereira & Manuela Donoso | Estados Unidos

Esta série é uma junção de dispositivos mecânicos, software, esculturas e imagens impressas que explora a hamonia musical. Cordas emitindo vibrações em diferentes intensidades são representadas como figuras de Lissajous, convidando os visitantes a descobrir uma relação entre harmonia musical e visual.



Este projeto brinca muito com a interatividade do usuário, e me atraiu muito principalmente por causa do fato de ser um objeto que se relaciona tanto no nível gráfico quanto sonoro.



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MURMUR
Chevalvert, 2ROQS, Polygraphik & Splank | França
"Murmur" é uma prótese arquitetônica que permite a comunicação entre os transeuntes e o mural no qual ela está ligada. A instalação simula o movimento de ondas sonoras, criando uma ponte luminosa entre os mundos físico e virtual. O foco no movimento cria, assim, um diálogo incomum entre o público e o mural.

Murmur — From sound to light, by talking to walls. from Chevalvert on Vimeo.


Este experimento assim como a descrição diz, é uma ligação entre o mundo físico e o digital, universos se chocam neste projeto, causando sempre um deslocamento e primeiridade nos usuários.

*Todas as descrições das obras foram retiradas do folheto original do evento.
O olho capta muito mais do que o ouvido, porém ele é muito mais racional. Já a audição capta nuances que o olho não percebe.

Minha pesquisa neste semestre começou sobre uma questão muito simples, porém a peça principal de todo o projeto: o objeto final.

Este objeto poderia ser singular, ou possuir várias instâncias, formas e materiais, desde que o conceito fosse forte para representar aquilo que eu queria desde o começo do primeiro semestre de 2014, um único objeto, interativo e lúdico, possível de ter diversas interpretações pelo usuário, e transmitir o conceito de tangibilidade/som/design que eu busco desde o começo.

A caça começou. Procurei avidamente por algo que fosse interessante, desenhei projetos que acabaram somente em idéias (estas que nem eram tão significativas) mergulhei em alguns livros para me ajudar a conceituar o "objeto", e após vários rabiscos, encontrei um formato que achei interessante.

PARE OLHE ESCUTE

Minha proposta era composta de etapas :

- Aproximar as pessoas do objeto proposto
- Promover o sentido (sinético) e visão olística
- Me aproximar de algum problema social
- Resgatar o aspecto tangível na música (som)
- Usuário x Ambiente
- Armazenagem do som

A partir de pesquisas, encontrei cada vez mais artistas e designers que se aventuravam no mundo sonoro. Nomes como Bill Fontana, Bernhard Leitner, Steve Roden, Max Beuhaus e Tomas Levin me mostraram aspectos diferentes de como criar projetos para esta linguagem, e de como a interação do usuário é importante. Para mais informações sobre estes e mais artistas, veja no post abaixo.

SOM ENLATADO

Após muita pesquisa, adquiri um pensamento mais olístico sobre os aspectos da música e de uma representação física de algo musical.
Minha ideia se baseia no princípio da concha do mar, onde "ouvimos" o som do mar quando a colocamos em nosso ouvido. Outra inspiração também são as mensagens na garrafa, onde as pessoas perdidas supostamente escreviam mensagens nessas garrafas, pedindo assim ajuda para qualquer um que achasse.

Como seria uma concha moderna? Industrial? O primeiro material que me veio a cabeça foi a lata metálica. Se existe algum objeto que reflita algo industrial, pronto-para-consumir, e de fácil acesso seria a lata.

Assim comecei a desenhar os primeiros rabiscos...



A ideia geral é colocar o som na lata, como se nada houvesse dentro, somente o som.

Quando se abre a tampa, um som peculiar começa a surgir, ele pode ser o som de qualquer lugar ou coisa, você só precisa se aproximar do objeto, senti-lo em seu ouvido, e perceber o som que sai. Ele pode te transportar para cidades que você nunca viu (ou ouviu) florestas, mares, até mesmo lugares inóspitos a léguas submarinas, um lugar de infância, um metrô, animais, sons de caos e de tranquilidade. Tudo isso pode estar em uma lata, ou melhor, em várias.





Resgatando a tangibilidade sonora, trazendo sons únicos e de situações diferentes, quero mostrar as pessoas como os sons ativam muitas memórias que muitas vezes só são lembradas pela visão, redefinindo assim a compreensão de um espaço acústico.