manual de uso

-/ PROJETO DE GRADUAÇÃO EM DESIGN | EXPERIMENTAL

os objetos aqui postados são para o objetivo acadêmico e experimental.

o material abaixo representa o conteúdo de minha tese e tem como tema principal a tangibilidade e intangibilidade do design contemporâneo sobretudo nas mídias atuais musicais e audiovisuais.

cada postagem representa um avanço na minha pesquisa, tanto no âmbito experimental como no de racionalidade acadêmica.

os textos descrevendo as experimentações constam no PGD impresso.

atenção-

FINADO TIO WALTER é o blog.

GRAFIKOFONIA é o projeto.

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Após um período de estudo e planejamento, comecei a trabalhar na parte elétrica da lata. Minha ideia era usar os componentes de um MP3 player e alterar algumas de suas funções para que o mesmo fosse reduzido para entrar na latinha e ocupar pouco espaço.



Troquei os auto-falantes do MP3 (já que eram grandes e potentes demais) por um de carrinho de brinquedo, muito menor e menos potente. O suposto reprodutor de MP3 foi uma boa escolha, já que me permitia adicionar músicas e sons através de uma entrada por microSD, pequena e prática, quando se inseria o card ele logo começava a tocar a música salva na memória.



A partir de um componente chamado Reed Switch, foi possível fazer com que o MP3 ligasse somente com a interação de um ímã, pois assim, somente ao retirar a tampa da lata (com o ímã preso a ela) o aparelho começaria a tocar.



O sistema simples e pequeno vai me dar espaço para trabalhar com a lata, mas ainda preciso resolver como esconder tudo isso dentro dela, já que a ideia principal era de reproduzir algum som sem que a pessoa visse de onde ele estaria saindo, como se a lata estivesse vazia, somente cheia com som.

Trabalhei também com outros tamanhos e estilos de lata, porém achei mais confortável para o usuário uma lata que tivesse uma boa portabilidade e que coubesse em uma mão facilmente, por isso escolhi a latinha de tamanho médio, marrom.




Agora com a elétrica e a lata definidos, vou começar a aprimorar seu interior e também exterior, procurando uma solução gráfica que represente a mensagem que o "container" irá transmitir.


O FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica) é um festival que acontece em SP e pelo mundo onde vários projetos de arte/design/música/eletrônica/ são apresentados para o público em uma exposição singular e muito bem organizada. Contando com o fator lúdico e com o interesse de envolver o usuário, o FILE promete e consegue entregar experiências novas e únicas para aqueles que visitam a exposição contando com primeiramente a interatividade.

Eu visitei hoje esta exposição e ela tinha tudo a ver com o meu projeto, já que estou me envolvendo cada vez mais com a eletrônica para conseguir meus objetivos.

O FILE está localizado no SESI-SP na estação Trianon-Masp, na entrada já é possível visualizar a maioria das obras, fiquei impressionado com a qualidade e também com a interatividade que eles ofereciam.

A seguir os projetos que achei mais interessantes:

MATIÉRES SENSIBLES
Scenocosme: Grégory Lassarre & Anais Met Den Ancxt | França

Feita por meio de um processo de biohacking que os artistas chamam de marcação interativa, "Matiéres Sensibles" é uma série de esculturas feita com folhas de compensado de freixo muito finas e delicadas, as quais produzem sons ao serem tocadas pelos espectadores.



Achei demais esta experiência, além de nos conectar com a natureza, criamos o som e refletimos se ela realmente é causada pelos sulcos naturais da madeira. Produzindo música com o toque.



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THE HARMONIC SERIES
Luisa Pereira & Manuela Donoso | Estados Unidos

Esta série é uma junção de dispositivos mecânicos, software, esculturas e imagens impressas que explora a hamonia musical. Cordas emitindo vibrações em diferentes intensidades são representadas como figuras de Lissajous, convidando os visitantes a descobrir uma relação entre harmonia musical e visual.



Este projeto brinca muito com a interatividade do usuário, e me atraiu muito principalmente por causa do fato de ser um objeto que se relaciona tanto no nível gráfico quanto sonoro.



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MURMUR
Chevalvert, 2ROQS, Polygraphik & Splank | França
"Murmur" é uma prótese arquitetônica que permite a comunicação entre os transeuntes e o mural no qual ela está ligada. A instalação simula o movimento de ondas sonoras, criando uma ponte luminosa entre os mundos físico e virtual. O foco no movimento cria, assim, um diálogo incomum entre o público e o mural.

Murmur — From sound to light, by talking to walls. from Chevalvert on Vimeo.


Este experimento assim como a descrição diz, é uma ligação entre o mundo físico e o digital, universos se chocam neste projeto, causando sempre um deslocamento e primeiridade nos usuários.

*Todas as descrições das obras foram retiradas do folheto original do evento.
O olho capta muito mais do que o ouvido, porém ele é muito mais racional. Já a audição capta nuances que o olho não percebe.

Minha pesquisa neste semestre começou sobre uma questão muito simples, porém a peça principal de todo o projeto: o objeto final.

Este objeto poderia ser singular, ou possuir várias instâncias, formas e materiais, desde que o conceito fosse forte para representar aquilo que eu queria desde o começo do primeiro semestre de 2014, um único objeto, interativo e lúdico, possível de ter diversas interpretações pelo usuário, e transmitir o conceito de tangibilidade/som/design que eu busco desde o começo.

A caça começou. Procurei avidamente por algo que fosse interessante, desenhei projetos que acabaram somente em idéias (estas que nem eram tão significativas) mergulhei em alguns livros para me ajudar a conceituar o "objeto", e após vários rabiscos, encontrei um formato que achei interessante.

PARE OLHE ESCUTE

Minha proposta era composta de etapas :

- Aproximar as pessoas do objeto proposto
- Promover o sentido (sinético) e visão olística
- Me aproximar de algum problema social
- Resgatar o aspecto tangível na música (som)
- Usuário x Ambiente
- Armazenagem do som

A partir de pesquisas, encontrei cada vez mais artistas e designers que se aventuravam no mundo sonoro. Nomes como Bill Fontana, Bernhard Leitner, Steve Roden, Max Beuhaus e Tomas Levin me mostraram aspectos diferentes de como criar projetos para esta linguagem, e de como a interação do usuário é importante. Para mais informações sobre estes e mais artistas, veja no post abaixo.

SOM ENLATADO

Após muita pesquisa, adquiri um pensamento mais olístico sobre os aspectos da música e de uma representação física de algo musical.
Minha ideia se baseia no princípio da concha do mar, onde "ouvimos" o som do mar quando a colocamos em nosso ouvido. Outra inspiração também são as mensagens na garrafa, onde as pessoas perdidas supostamente escreviam mensagens nessas garrafas, pedindo assim ajuda para qualquer um que achasse.

Como seria uma concha moderna? Industrial? O primeiro material que me veio a cabeça foi a lata metálica. Se existe algum objeto que reflita algo industrial, pronto-para-consumir, e de fácil acesso seria a lata.

Assim comecei a desenhar os primeiros rabiscos...



A ideia geral é colocar o som na lata, como se nada houvesse dentro, somente o som.

Quando se abre a tampa, um som peculiar começa a surgir, ele pode ser o som de qualquer lugar ou coisa, você só precisa se aproximar do objeto, senti-lo em seu ouvido, e perceber o som que sai. Ele pode te transportar para cidades que você nunca viu (ou ouviu) florestas, mares, até mesmo lugares inóspitos a léguas submarinas, um lugar de infância, um metrô, animais, sons de caos e de tranquilidade. Tudo isso pode estar em uma lata, ou melhor, em várias.





Resgatando a tangibilidade sonora, trazendo sons únicos e de situações diferentes, quero mostrar as pessoas como os sons ativam muitas memórias que muitas vezes só são lembradas pela visão, redefinindo assim a compreensão de um espaço acústico.



Renomado artista e compositor, foi um dos intérpretes da música contemporânea em 1960 e que é considerado um dos pioneiros em atividades artísticas que envolviam som.

Seus trabalhos foram de inspiração pra mim assim que decidi me aproximar um pouco mais da questão da poluição sonora em grandes cidades, e também de sua ausência. Depois que minha pesquisa se aproximou do universo da arquitetura e de como o som pode influenciar no comportamento das pessoas em seu comportamento diariamente, achei diversos artistas que tratavam da experiência sonora como ativos na mudança ou reprogramação do pensamento em frente a tecnologias e materiais sonoros.

Um dos trabalhos mais conhecidos de Max foi sua instalação sonora na Times Square em NY, onde em baixo de uma passagem de pedestres ele havia instalado caixas de som que transmitiam 24hrs por dia um som peculiar, raramente notado por pedestres, e quando notado causava uma certa primeiridade, onde atraía o interesse do público. Porém de tão delicado, as pessoas acabavam por seguir seu caminho rapidamente assim que o semáforo abrisse. Um caso de amor e ódio com a cidade em si.



Outro artista que me foi apresentado não se constitui de uma pessoa, mas sim de um grupo. O Chelpa Ferro é um grupo de 3 artistas que inovam e se aproximam da proposta que eu procurei desde o início, me diferenciar com design e som. Em suas obras eles apresentam um certo distânciamento da normalidade dos objetos. Eles usam de diversos meios para criar som, ruído e principalmente uma reprogramação do espectador, criando assim uma interação entre a mensagem e o receptor.

Esses e muitos outros eu descobri nesta semana que se passou, quanto mais eu procuro, mais descubro que temos muitos artistas representando a área de som/design/arte pelo mundo.

Como adoro listas, aqui vão os meus prediletos desta semana:

Steve Roden - objetos interessantes

Julian Treasure - arquitetura sonora

Jarbas Agnelli - birds on the wire

Bill Fontana - urbano sonoro

Ao assistir a uma entrevista com Thomas Y. Levin, conheci e me interessei por um de seus projetos mais interessantes, o Phono-post, um serviço que já existia antigamente em que consistia na gravação de uma mensagem pessoal através da mídia de vinil, e assim mandada por correio. Como se fossem cartas, elas eram muito mais interativas e divertidas, já que você podia na verdade ouvir seu parente querido lhe enviar uma mensagem de muito longe, ou mesmo sons e músicas gravadas por qualquer um. Este serviço desapareceu com o aparecimento do telefone e posteriormente do celular, mas o costume continua o mesmo. Aplicativos como Whatsapp ainda nos habilitam enviar mensagens por voz, virtualmente e sem a aplicação tangível do vinil.



Isto é arqueologia digital, pois o fator de armazenamento do arquivo é muito importante. O vinil está exposto a diversos fatores que podem corroborar em seu desgaste, porém é um material tangível e que pode ser guardado com carinho em sua gaveta para posteriormente ser usado. Seguindo essa reflexão, o arquivo digital é muito mais facilmente esquecido e ignorado, aposto que os registros de voz do seu Whatsapp serão lembrados por você em um futuro próximo, já o vinil, sempre ficará em minha estante.



Um exemplo de phono-post, enviado de um marido para sua esposa:
link
II
MARCO PARA O COMEÇO DA SEGUNDA PARTE.

2º semestre | 2014/2

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