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Fumegantemente novo

- Entrevista com
Romulo Fróes no
Don't Touch My TV,
seção do blog Don't Touch My
Moleskine.com. Co-produção
Dulaya/it.

- Novas fotos

- Poesias Dulaycas #13.
Escrevo uma estrofe,
e o outro continua.


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Poesias Dulaycas #13

por Todos

O sol inunda a sala.
Belo traje o seu.
A água cozinha a batata.
E ferve como eu.

A bela sala traja o sol.
Sua batata ferve
e a cozinha inunda
como eu.

Em coma (digestivo).
Me coma (indigesto).

O esôfago entorna a batata
Entorno de um corpo que já não lhe pertence
o corpo da batata padece
e a língua estirada permanece dormente

O sol e eu sou
como a batata:
inconsequente.

Fervido por natureza
Inundando a casa da gente.

cozinhando por dentro e por fora
e esbaldando em água corrente.

esbalda até que corpo e mente se fundam.
e se confundam na sala ao sol.
o traje dourado num canto do chão.
e a batata que queima, tamanha a ebulição.

tchiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
vapor de mente quente
que se espreme perfurando um dente
de tão dura a batata empurra
e transforma em canal
o que deveria ser uma cárie normal




por Romero Cavalcanti

Ela tinha um olho no pé. Um olho extra que enxergava a verdade por trás das pessoas e das coisas. Que lhe permitia ver o quanto tudo é fútil e superficial. Mas em um mundo assim ela jamais seria aceita se andasse descalça.




Só vigia um ponto negro

por Dani Arrais

Ele foi o primeiro grande amor da minha vida, o cara com quem eu quis casar e ter filho. Éramos
jovens e descobrimos que, para viver um grande amor, as vezes é preciso encarar uma dose de mágoa.

Ele tinha banda, groupies, uma vez pedi pra uma amiga queimar uma delas com o cigarro e fui atendida. Olhava o celular dele, ficava puta se ele dava atenção a quem não devia. Ciúme típico de quem podia virar a esquina e aprontar.

Hoje, nem ‘feliz ano novo’ ele me dá. Perdi as contas das vezes que olhei a vida dele pelo
Facebook _meu coração vinha na garganta quando ele colocava uma música pra namorada
nova, uma foto dos dois. Era uma vida sem a gente.

Nos meus sonhos ele ainda aparece. Outro dia, quis contar que Patti Smith escreveu ‘Caminhos que se cruzam voltarão a se cruzar’. Robert era o menino que queria ser mau, ela era a menina má. Juntos, viveram princípios opostos, luz e trevas, um pouco de tudo. Bem assim, como a gente.




É sóda

por Lú Lins

Minha soda é uma água que respira
Soltando bolhas de um peixe invisível
Parece uma água alienígena
E as bolhas vários olhos de sapinho

Vou engolindo a seco essa soda
E cada bolha é um sentimento estranho
"Estranho" para não rimar com soda.




A dor de um ex-amigo

por Daniela Arrais

Amigo é uma coisa que a gente perde ao longo da vida. Encontramos vários, nos apegamos a alguns e, a certa altura, somos forçados a colocar o prefixo ex antes do nome daquele que enchia nosso coração de carinho e de certeza.
Perder um amigo para a vida, e não por uma fatalidade, é uma dor dilacerante. A gente pensa que amizade é pra sempre, que, quando a gente for velhinho e lembrar de tudo que aconteceu, estarão perto de nós aqueles que a gente escolheu como a família do coração.
Mas a vida tem dessas decepções. Uma hora é você que sai de cena. Em outra, a vontade é daquele que te dava toda certeza do mundo de que era ficaria ali no matter what.
A primeira vez em que eu tive que tornar um amigo ex-amigo, senti uma dor que acabou comigo. Fiquei sem entender, chorei, chorei. por um tempo, foi difícil acreditar de novo na beleza, na simplicidade e nas diversas nuances de uma amizade.
Optei por deixar a amargura de lado e seguir em frente, ainda com esperança de que aquela dor eu não sentiria mais. Novas amizades vieram, as que importavam de verdade permaneceram. E não senti aquela dor de novo, não daquele jeito. Mas outras dores apareceram pra mostrar que a vida é assim mesmo, por mais que a gente se pergunte se já não teve a nossa cota.
o bom é que dor ensina. E depois que a gente sente uma que parte o coração em mil pedacinhos, aprende a relativizar as outras. E, melhor ainda, renova o olhar diante dos amigos de sempre, aqueles por quem a gente sente todo o amor do mundo e em quem temos a sorte de encontrar reciprocidade.




Meu coração é uma rádio que toca de madrugada

por Daniela Arrais

É o seguinte: 87% de todas as músicas que a gente ama são de sofrimento de amor. Patsy cline fall to pieces cada vez que vê o ex-amor novamente, ou quando alguém simplesmente fala no nome dele. Muita mágoa acumulada. Isso sem falar que ela se acha crazy for feeling so blue… É não, amiga, todo mundo já se sentiu assim em algum momento de sua trajetória amorosa.
Dá para fazer um tratado sobre o amor através dos tempos via YouTube. Mais ou menos o que decidi fazer nesta noite de dda.
Tammy Wynette, por exemplo, faz drink and dial desde os anos 1960: i hope i won’t disturb you with this call/ i’m just in town for such a little while/and i thought perhaps you’d like to hear the news/ jeannie’s grades were the highest in the school. Quando se tem um filho, imagino que deva ser até mais fácil manter o contato. Quando não…
Você liga só pra dizer uma besteira. Força a barra bonito. Quem está do outro lado tem duas opções: atender ou ignorar. Às vezes a pessoa te atende, te encontra e depois volta a te ignorar. Às vezes, silêncio, no hay banda. E aí você quer pular naquele pescoço que você já beijou, mordeu e onde tantas vezes se aconchegou.
Daí você tenta sair com alguém. A vida tá aí, né? Mas, por um tempo, o fantasma ainda ocupa muito espaço. E sabe que até pra isso existe música correspondente?
Sylvia canta your nobody called today: sittin’ in a restaraunt and she walked by/ i seem to recall that certain look in your eye/ i said, “who is that?”/ you said with a smile/ “oh it’s nobody, oh nobody”/maybe that explains the last two weeks/ you called me up dead on your feet/ working late again I ask, “who with?”/ you said “nobody, oh nobody”.
No meio tempo, você faz que nem barbara mandrell: sleeping single in a double bed, thinking over things i wish i’d said /i should have held you but i let you go/ now i’m the one sleeping all alo-oh-one.
E ainda dá um bom conselho para os onipresentes momentos heleninha roitman: i’d pour me a drink, but i’d only be sorry/ ’cause drinking doubles alone, don’t make it a par-arty.




A música é um fusca

por Lú Lins

Música é um fusca. Um fusca alienígena, porque leva a gente mais longe do que qualquer distância conhecida. Perfeito para se fugir dessa vida. É só colocar o volume no máximo e voar para outro lugar.
Música é um fusca porque serve para transportar. E está em todo canto, mesmo que a gente não perceba Tem tanto carrão por aí chamando mais atenção. Mas eles não são música. Música de verdade não precisa de air bag, direção hidráulica, ar-condicionado.
Não precisa ser do ano, nem ter design inovador.
Basta ter retrovisor, para a gente enxergar atrás. O limpador de vidro funcionando, para a gente ver o que vem na frente. E um motor, de preferência barulhento. O importante é que funcione. Mesmo só pegando no tranco.
Ah, e o amortecedor. Tem que ser gasto. Para sacudir a gente mesmo quando a gente não quer.
Música de verdade não é feita de tecnologia, nem da marca do carro.
É feita das pessoas que têm dentro.
Não é feita para impressionar os outros no trânsito. É feita para tornar mais leve, divertido, tranquilo, o caminho que a gente segue. É feita para a gente curtir tanto o caminho, que acaba se perdendo por aí, distraído.
É isso que a música faz: embalando uma viagem com amigos. Um namoro no banco de trás.
Os pensamentos de quem dirige sozinho. Tornando menos constrangedor o silêncio de quem dá carona a um conhecido.
Hoje em dia reclamam da música. Dizem que ficou chata como o trânsito. Não existem mais loucos na direção. Quando aparecem, são multados. Eu sinto falta de loucura nas músicas que vejo nas ruas. Ir na contramão. Colocar mais pessoas dentro do carro do que o permitido. Dar carona a estranhos. Beber e dirigir!
Mas poucos arriscam. Ninguém quer perder dinheiro com multas. Ninguém quer amassar o carro importado.
Talvez se tivessem um fusca não se preocupassem tanto com isso.




Para não dizer adeus

por Daniela Arrais

Algumas músicas contêm toda a verdade do mundo. “Do you realize?”, do flaming lips, é uma delas. É a música que pergunta se você tem noção de que todo mundo ao seu redor vai morrer algum dia. A gente tem, mas nunca está preparado pra lidar com o que deixa de existir neste plano real, de abraços, olhos nos olhos, conversas e confissões.
Toda morte é dolorosa, porque vem cheia de “se”, de “ah…”. Quando ela não é natural, você pensa: onde eu estava que não pude impedir? Se é trágica, você esbraveja: por que, meu deus, o que essa pessoa fez pra merecer isso? Quando é de morte morrida, de velhice, ainda não sei dizer. Só sei que é automático pensar em tudo o que a gente não disse, em tudo que poderia ter sido feito, em tudo o que a gente ainda queria fazer na companhia daquela pessoa tão querida.
E é isso que wayne coyne ensina em “do you realize?”. Que a gente, em vez de dizer adeus, deve fazer com que todas as pessoas importantes saibam o quanto elas são importantes enquanto elas estão aqui. And instead of saying all of your goodbyes / let them know you realize that life goes fast / it’s hard to make the good things last / you realize the sun doesn’t go down / it’s just and illusion caused by the world spinning round.
Falta de tempo é a grande desculpa do século 21. Todo mundo tem tempo pra fazer mil coisas ao mesmo tempo, mas nem sempre consegue encontrar um amigo pra tomar um café ou uma cerveja. Você deixa pra depois, se justifica, remarca. E um dia, pluft, aquele seu amigo ou aquele parente querido que você deixou de ver no último natal pode não estar mais ali. E você vai viver um longo período pensando em verbos no tempo condicional.
Então, meu amigo, evite dizer adeus. E insista em olhar para os olhos de quem você ama, mostrando, falando, abraçando, dizendo de qualquer forma que o seu coração só é seu coração porque tem um pedaço de cada um ali.





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