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A escolha do disco de estréia do jj como Best New Music no site da Pitchfork é um forte reflexo dessa releitura louca e pós-moderna do “pop baleárico” que se pode ouvir nos últimos anos. Sucesso de crítica e até de público (Vampire Weekend que o diga), pessoalmente acho o gênero a trilha sonora perfeita para tardes primaveris. Os tais dos “balearic beats” nasceram nos anos 80 e até recentemente era tido como um bagulho “tosco”, dos moldes daqueles eletrônicos tropicalizados kitschy que bombavam em Ibiza misturando Ítalo Disco e House com pitadas de música latina, africana, funk, dub, e qualquer coisa que viesse de um lugar onde a temperatura média ficava nos 30°.





Depois que Paul Oakenfold popularizou a coisa, e o balearic se espalhou nas raves do começo dos anos 90, o gênero caiu em obscuridade até mais precisamente 2000, quando o coletivo de DJs australiano The Avalanches lançou o clássico dos mil samples Since I Left You. O disco é um louco passeio pelo século XX com beats de hip-hop mixados numa atmosfera de ambient ensolarado, cheio de referências que vão do cinema antigo aos sons camp dos anos 80. Foi a primeira forte releitura feita sobre o pop baleárico, e abriu caminho pra diversos grupos experimentarem com o gênero.



Bom, aí o negócio ganhou força com Vampire Weekend, El Guincho, e, pra finalmente chegar onde eu quero, com um bando de suecos malucos, que, sei lá como, conseguem inspiração pra músicas cheia de vibração veranil no meio da gélida península escandinava. Começou com o A Mountain of One, aí veio o Studio, The Embassy, e, mais recentemente, com o The Tough Alliance, que com o seu selo, chamado Sincerely Yours, lança um monte de gente com esse mesmo direcionamento musical todo ano, como o Air France e o Honeydrips. A última pérola loura, alta, viking (insira clichê escandinavo aqui) a brotar da vasta line-up de artistas do Sincerely Yours é a banda/mina/cara/fantasma jj. Assim, tudo minúsculo mesmo. E fora os números de catálogo no site do selo, não se sabe nada sobre quem faz as músicas assinadas com o nome. Só se sabe que quem canta é uma mulher. Ponto. O que não tira méritos, claro, da qualidade do som.


O primeiro lançamento do jj foi o single My Life, My Swag que, funcionando como um cartão de visitas, já mostrava a que veio o projeto. Com os vocais mergulhados em reverb como se acalorados por um sol de fim de tarde e uma melodia delicada acompanhada dos ritmos baleáricos mais convencionais (aquele beat latinizado meo cubanóide) estava claro que seria mais um projeto sueco dos bons.





Agora, o jj apresenta seu primeiro álbum, simplesmente intitulado jj nº 2. Embora de curta duração, seus 28 minutos são como uma pílula de verão instantâneo. O solo de xilofone no começo da faixa 1 funciona como aquelas manchas rosadas que aparecem no mar antes do sol nascer, e depois a seção de cordas que entra, epicamente infantil como um arranjo de Danny Elfman, conquista os ouvintes de vez nessa atmosfera suave e convidativa.


Mas nem tudo são flores coloridas a espalhar seus pólens alegremente pela relva, porque senão seria muito chato. Rola um cinismo muito forte no disco do jj, e a banda se aproveita de várias referências pra criar uma pira pós-moderna, como na música From África to Málaga, evidenciando as influências do disco, e depois em Ecstasy, uma tirada satírica sobre Lollipop de Lil’ Wayne (a música usa o mesmo sample). Também, não é qualquer disco que traz uma big folha de cannabis na capa como jj nº 2 o traz.



A sensação ao terminar o disco é que, mesmo entrando na mesma praia de som de praia dos companheiros de Sincerely Yours, o/a jj é um dos raros casos de originalidade na música hoje em dia. Quem mais conseguiria tirar Lil Wayne do gangsta rap e transformá-lo em um açucarado dream pop com ecos de ambient brian-enesco?




download de jj n° 2